A Folha do Taquaral de 19 de Setembro de 2013 traz matérias sobre o caso UPA "Um mês sem esclarecimentos e muitas perguntas sem respostas" , "Inquérito sobre ONG protetora de animais passa de mão em mão e segue emperrado" e também uma reflexão sobre o caso e seu impacto na causa animal, escrita por nossa amiga e parceira, Yuko, que faz parte da Proesp (Associação Protetora da Diversidade das Espécies), e do CMPDA (Conselho Municipal de Proteção e Defesa Animal de Campinas). Os textos podem ser lidos abaixo, nas páginas 1, 2 e 4.
Reflexões sobre o caso UPA e a causa animal
(transcrição do texto de Yuko Okamura, para facilitar a leitura)
A repercussão pelas redes sociais das denúncias envolvendo o canil mantido pela União Protetora dos Animais- UPA entre os partidários da causa animal de Campinas foi da incredulidade à decepção. Contudo, a reticência de muitos chamou a atenção, o que suscitou perplexidade inclusive de partidários de outras cidades e até de pessoas que não seguem a causa. Constatou -se ainda, uma significativa repreensão às manifestações críticas e questionamentos formulados por alguns protetores.
O caso envolve uma figura, que se apresenta como porta-voz e liderança do movimento de proteção animal por todo país , e uma ONG que serviu de plataforma eleitoral para três de seus presidentes. E aqui está um dos aspectos relevantes do caso: o envolvimento direto de homens públicos, bem remunerados e com acesso a facilidades próprias ao cargo. Os mandatários em particular (com mandato outorgado pelo voto popular) devem dar o exemplo, tanto na esfera pública quanto na privada, pois são eleitos para trabalhar em prol da sociedade. Não é uma mera questão de ser contra ou a favor do deputado Feliciano Filho ou dos trabalhos da UPA.
E irregularidades foram constatadas de fato, resultando em multas aplicadas pela Vigilância Sanitária e pela Secretaria do Meio Ambiente, mas os principais responsáveis pela entidade não conseguiram apresentar explicações razoáveis para o estado em que se encontravam o canil e os animais. Ao contrário, se esforçaram para eximir-se de qualquer envolvimento com a gerência do local.
Inúmeros são os que se dedicam à proteção animal, mesmo sem recursos e sós, valendo-se até de improvisos mas que não descuidam do conforto de seus animais ou da transparência na informação e prestação de contas. A expressão da decepção e revolta das pessoas não pode ser considerada "politicagem" como quiseram alguns, desqualificando a opinião pública e referendando a idolatria. "Politicagem" é a política mesquinha, estreita, de interesses pessoais, atos de politiqueiros que usam de processos menos corretos visando o benefício próprio para se dar bem às custas do povo, não é quando esse povo questiona, critica ou manifesta seu desagrado com as ações dos seus mandatários.
Também foi justificativa para a repreensão às críticas e questionamentos, a alegação de que isto aumentaria a divisão da "causa animal" e afastaria apoiadores. A "causa animal" é um guarda-chuva de ideários difusos e por vezes conflitantes: gateiros, cachorreiros, veganos, bem-estaristas, abolicionistas, socorristas, etc. A causa animal abriga todas estas facetas tendo em comum o objetivo de eliminar a marginalidade dos animais na sociedade, não somente como um fim em si mesmo, mas também como forma de ascensão ética e moral. Rejeitar a crítica ou se abster dela para, supostamente, defender uma união da causa é optar pela hipocrisia e abrir espaço à impunidade.
Esconder as diferenças de opiniões, evitar os conflitos inerentes ou acobertar os erros não é o caminho para fomentar a tão desejada soma de esforços ou garantir a confiança da sociedade.
Este episódio revela que a causa animal ainda precisa amadurecer o exercício da cidadania e livrar-se do clientelismo na relação com seus mandatários. O partidário de qualquer causa precisa antes de tudo buscar ser um cidadão pleno para melhor lutar pelos seus ideais, capacitando-se para escolher lideranças proativas e democráticas e assim construir coletivamente os caminhos rumo a seus objetivos. E para isto, as críticas honestas e construtivas são imprescindíveis.
Yuko Okamura - Associação Protetora da Diversidade das Espécies - Proesp, membro do Conselho Municipal de Proteção e Defesa dos Animais - CMPDA
Agradecimentos à colaboração de:
Marisa Nunes Galvão - Grupo de Apoio ao Animal de Rua - GAAR, membro do Conselho de Proteção e Defesa dos Animais - CMPDA
Juliana José - Grupo de Apoio ao Animal de Rua - GAAR






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